quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Quanto tempo, heim??

Caros leitores, amigos, irmãos de raça e outros.

Faz muito tempo que não me expresso neste blog, mas muita coisa aconteceu nesses últimos meses.
Eu tinha uma avó que estava distante e não morava conosco, faleceu dia 14. Mamãe passou por momentos muito difíceis, coisas que ela nunca imaginou presenciar e tudo isso abalou minha família humana por demais.
E, como vocês sabem, se minha família foi abalada eu também me abalo. Passamos dias tristes. Fiz de tudo para alegrar a mamãe, fiz "burritos" com a toalha do banheiro, fiz "turrucutucu", invadi a cozinha, todas minhas graças e truques e nem assim mamãe se alegrou.
Ela tinha muitos problemas com a vovó e isso agravou a situação. Mamãe é uma mulher muito forte e por isso, aguentou tudo. Vovó foi "jogada" em um hospital Municipal pela empregada dela. Dias antes ela havia sacado dinheiro para a operação que iria ter que fazer e mesmo assim, quando passou mal a empregada a jogou num hospital péssimo e não avisou a mamãe, alegando que a vovó não queria. O dinheiro desapareceu e ela foi a única que entrou na casa, antes da mamãe, segundo testemunhas que viram que ela saiu de dentro da casa de madrugada. Graças a Deus, alguém avisou a mamãe que correu para o hospital, mas quando chegou lá, a vovó já estava sendo operada e só restava aguardar. Mamãe não teve tempo nem de transferir a vovó para um hospital melhor. Depois da operação, o médico disse que a vovó não acordaria mais pois ela tivera uma trombose no intestino e seu falecimento era questão de horas, já que, ninguém poderia fazer nada com aquela situação e, na operação, eles apenas abriram e fecharam. O hospital não tinha vaga na UTI e a vovó ficou na sala de cirurgia por toda a noite. Por sorte o médico permitiu que a mamãe e meu irmão entrassem para se despedirem da vovó que se encontrava anestesiada. Depois disso eles passaram a noite toda no saguão do hospital com muito frio e desesperados pela situação. Nem voltar para casa podiam porque àquelas horas não havia mais ônibus e o tio Ivan e a tia Carlinha, que lhes deram carona, já tinham ido embora, pois era muito tarde. Mamãe disse que nunca vai poder agradecer o tio Ivan e a tia Carlinha, eles foram muito legais, até o dinheiro que tinham deixaram com a mamãe por se ela precisasse de alguma coisa. Isso são amigos.
Ao amanhecer, mamãe tentou obter mais informações em vão. Trocou o turno de enfermagem e ninguém conseguia dizer se já havia vaga na UTI, se a vovó seria transferida da sala de cirurgia ou o que ia acontecer. Mamãe resolveu ir para casa, tomar banho, comer e enfrentar o longo dia que viria. No meio do caminho ligaram dizendo que a vovó havia falecido e ela foi para a casa da vovó, buscar roupas para poder enterra-la e dinheiro porque mamãe não tinha.
Quando chegou na casa da vovó, a avisaram que a chave estava com a Nalva, empregada, e que a Nalva tinha ido ao hospital. Mamãe resolveu esperar. A Nalva voltou e disse que as chaves estavam com uma enfermeira com quem vovó tinha deixado e recomendado que não fosse entregue a ninguém a não ser para a minha tia que mora no Uruguai e chegaria 2 dias depois. Mamãe se desesperou chamou um chaveiro, que abriu a casa e trocou todas as fechaduras (como se ela estivesse em condições de pagar). Quando entrou na casa, várias coisas haviam "desaparecido". Não havia um único tostão do dinheiro que a vovó sacou para a operação, só havia um envelope com R$ 100,00 trocados, a agenda da vovó, aonde ela sempre "escondia" dinheiro, também não estava e não tinha nenhum documento dela para que a mamãe providenciasse o enterro. A essa altura ela não havia sequer pensado que a Nalva houvesse roubado e ligou para ela dizendo que precisava dos documentos. A Nalva se negou a entregar e disse que ela não estava com os mesmos e nem com o dinheiro e que o dinheiro estava na casa (já saiu quase tudo de lá e ninguém achou nem um tostão). Mamãe implorou, pediu cartão do banco, qualquer coisa para que ela pudesse enterrar a vovó porque ela não tinha como e a Nalva disse que só entregaria para minha tia. Mamãe chamou a polícia e os documentos e as chaves apareceram com a Nalva que dizia que poderiam revistá-la que ela não tinha mais nada, disse isso ao lado da vizinha de parede e amiga que no momento era uma espécie de "co-piloto" "secretária", sei lá, tudo farinha do mesmo saco ou cocô do mesmo penico. Como sempre quem salvou a mamãe e deu o dinheiro para o funeral foi o chefe dela, ela ficou mais tranquila e começou a tratar da burocracia. Voltou para o hospital para liberar o corpo e o médico informou que a vovó teria que passar por autópsia (verificação de óbito) e depois do médico assinar a guia de óbito, mamãe teria que ir na delegacia da região, fazer um boletim de ocorrência para solicitar que o IML viesse ao hospital buscar o corpo. Fizeram isso, ela e meu irmão, que não saiu de seu lado nem um só momento e a delegada os aconselhou que voltassem para casa, descansassem um pouco por que o outro dia seria terrível. À noite, por volta das 21:30 chegaram em casa e ficaram ligando de hora em hora para o IML e somente pela manhã foram avisados que o corpo havia chegado lá e que eles precisavam ir para liberar o mesmo para a autópsia. Tomaram um banho que até aquele momento não haviam conseguido e foram para o IML, levando a roupa que minha vovó seria enterrada. Chegando lá, demorou muito e, como mamãe sabia que minha tia chegaria naquela manhã ela ligou para a Nalva pedindo que ela avisasse minha tia que o corpo estava no IML e que a mamãe estava esperando por ela para resolver o funeral (vovó queria ser cremada e a informação que a mamãe tinha era que isso sairia muito caro). Logo depois minha tia Adriana chegou e minha mãe foi abraçá-la, então, minha tia se afastou o que magoou mais ainda a mamãe que ficou muito brava e saiu deixando minha tia e seus acompanhantes sozinhos e tratou do funeral sozinha. Depois de tratar do funeral ela voltou ao IML e esperou por mais 4 horas para ver a vovó pela última vez, antes de ser cremada (mamãe conseguiu porque existem cremações de vários valores). Quando ela foi chamada, chorou muito pois os cortes da autópsia da vovó estavam aparentes, a roupa não conseguia esconder e para disfarçar os cortes da cabeça haviam amarrado um pano qualquer. Foi muito triste. Por fim o caixão saiu para o crematório e a cerimônia foi muito emocionante, com a música que era do meu vovô e da minha vovó, tocando ao fundo. Vá com Deus vovó. Que Ele ilumine sempre sua alma, Te abençôe e conforte.